Relatório do Cenipa revela que helicóptero de Oliver Tree não aparecia nos radares

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Investigação preliminar sobre o acidente que matou o cantor americano e mais cinco pessoas no Rio aponta falha de rastreamento e rotas coincidentes entre as aeronaves.

Um mês depois da colisão que matou o cantor norte-americano Oliver Tree e outras cinco pessoas no Rio de Janeiro, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos divulgou o relatório preliminar sobre o caso. O documento trouxe um dado que chamou atenção mesmo entre quem acompanha o noticiário de entretenimento: o helicóptero que transportava o artista nunca apareceu nos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro durante todo o trajeto, apesar de operar com um plano de voo autorizado. A dúvida que essa informação levanta é direta, como duas aeronaves podem colidir no espaço aéreo de uma das cidades mais monitoradas do país, e é justamente isso que o relatório começa a esclarecer, sem ainda apontar culpados ou causas definitivas.

O que aconteceu no acidente

A tragédia ocorreu em 14 de junho de 2026, quando dois helicópteros colidiram no ar sobre o bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um deles, de prefixo PP-MAC, um Bell 206B JetRanger III fabricado em 1999 e operado pela RG8 Aviation, transportava o comandante Alexandre Souza e quatro passageiros: o cantor Oliver Tree, o youtuber argentino Gaspar Prim, conhecido como Gaspi, o diretor e roteirista argentino Lucas Vignale e o produtor musical brasileiro Lucas Frota. O outro, de prefixo PR-DJJ, um Aerospatiale AS350 B2 Esquilo fabricado em 2012, era pilotado sozinho por Charles Marsillac e havia decolado do Aeroporto Santos Dumont com destino a Guaratiba. Nenhum dos seis ocupantes das duas aeronaves sobreviveu ao impacto.

Oliver Tree estava no Brasil como parte de sua turnê mundial em divulgação do álbum “Love You Madly Hate You Badly”, que previa setenta apresentações em trinta países. O artista havia se apresentado em São Paulo no início de junho e tinha o próximo show marcado para Lisboa, em Portugal, no começo de julho. A morte do cantor, que reunia quase vinte milhões de seguidores nas redes sociais, gerou repercussão internacional e recolocou em debate a segurança do tráfego de helicópteros sobre áreas urbanas do Rio de Janeiro, corredor aéreo já apontado por especialistas como sensível devido ao volume de voos turísticos e executivos na região.

O que revela o relatório preliminar do Cenipa

O ponto central do documento divulgado nesta quinta-feira é a constatação de que o helicóptero PP-MAC, o que transportava Oliver Tree, jamais foi detectado pelos radares do SISCEAB em nenhum momento do trajeto, num fenômeno que os investigadores descreveram como voo invisível. A situação contrasta com a do helicóptero PR-DJJ, que teve trechos do voo registrados pelo sistema de vigilância desde a decolagem em Santos Dumont até instantes antes da colisão. Segundo o Cenipa, isso não significa necessariamente irregularidade na operação, mas indica que a aeronave não gerou sinal de rastreamento ao longo de todo o percurso, o que dificulta reconstruir com precisão sua posição exata até o momento do choque.

Outro achado relevante é que as duas aeronaves seguiam planos de voo praticamente idênticos, com uso das Rotas Especiais de Helicópteros conhecidas como Praia e Grota, em níveis de altitude coincidentes. As condições climáticas no momento do acidente eram favoráveis, com visibilidade acima de dez quilômetros, o que em tese permitiria que os pilotos avistassem um ao outro a tempo de evitar a colisão. O relatório também informou que nenhuma das duas aeronaves possuía gravadores de voo ou de voz, equipamentos populares como caixas-pretas, já que esses dispositivos não são exigidos para os modelos envolvidos no acidente. Essa ausência de registros eletrônicos torna a apuração dos instantes finais do voo ainda mais dependente de dados de GPS e de testemunhas.

O que ainda falta saber sobre o caso

O Cenipa foi claro ao afirmar que o relatório divulgado agora tem caráter preliminar e apenas reúne fatos já levantados até este estágio da investigação, sem atribuir causas ou responsabilidades a pilotos, empresas operadoras ou ao próprio sistema de controle aéreo. A apuração completa ainda vai analisar fatores operacionais, humanos, técnicos e de infraestrutura antes da elaboração do relatório final, que deve trazer recomendações concretas para reduzir o risco de acidentes semelhantes em corredores aéreos urbanos.

Entre as questões em aberto está justamente o motivo pelo qual o helicóptero de Oliver Tree não gerou nenhum sinal de rastreamento, uma falha que pode estar relacionada a equipamento de bordo, cobertura de radar na região ou outros fatores ainda sob análise. Também segue em investigação por que os planos de voo das duas aeronaves coincidiram em rota e altitude, um cruzamento que, somado à falta de detecção radar de uma delas, compôs o cenário que resultou na tragédia. A expectativa é que o relatório final traga mais clareza sobre essas lacunas.

O caso de Oliver Tree expõe, de forma factual e verificada, uma fragilidade que vai além do universo do entretenimento e chega à segurança da aviação civil no Brasil. Mais do que uma fofoca sobre a vida de um artista, o episódio virou um estudo de caso sobre falhas de monitoramento em corredores aéreos movimentados. O relatório final do Cenipa, ainda sem data para ser concluído, deve ser o documento que vai efetivamente apontar o que falhou naquele 14 de junho, e é essa resposta que familiares, fãs e autoridades de aviação aguardam agora.

Fontes consultadas: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/morte-de-oliver-tree-cantor-estava-em-voo-invisivel-em-acidente-no-rio/ e https://www.itatiaia.com.br/brasil/sudeste/rj/relatorio-aponta-que-helicoptero-de-oliver-tree-fazia-voo-invisivel-antes-de-colisao-fatal/ e https://en.wikipedia.org/wiki/2026_Rio_de_Janeiro_mid-air_collision

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