De “Caneta Azul” a apresentadores de TV: famosos disputam vaga na Câmara nas eleições de 2026

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Cantores, ex-BBBs e apresentadores trocam os holofotes da TV e das redes pelos palanques, movimento que deve crescer até o fim do prazo de registro de candidaturas.

Com o calendário eleitoral avançando e as convenções partidárias em curso, uma leva de nomes conhecidos do público está trocando estúdios de TV, palcos e redes sociais por pré-candidaturas ao Legislativo nas eleições de outubro. Entre os destaques está o cantor Manoel Gomes, autor do hit “Caneta Azul”, que se filiou ao Avante e confirmou pré-candidatura a deputado federal por São Paulo. A movimentação levanta uma dúvida recorrente entre o público: até que ponto a popularidade construída fora da política realmente se traduz em votos, e o que esses novos nomes prometem entregar se eleitos?

Quem são os famosos que já confirmaram pré-candidatura

Segundo levantamento do Portal Debate, o apresentador Geraldo Luís oficializou pré-candidatura a deputado federal por São Paulo pelo Avante em 20 de julho, anúncio feito nas ruas durante o aniversário da mãe que o criou sozinha. Já Silvia Abravanel, uma das filhas do fundador do SBT, Silvio Santos, formalizou sua entrada na disputa pelo PSD, também para deputada federal por São Paulo, com bandeiras voltadas a políticas para pessoas com deficiência, apoio a famílias com doenças raras e proteção animal.

Do universo dos reality shows, o campeão da 13ª edição de “A Fazenda”, Rico Melquiades, se filiou ao PSDB e já usou as redes para anunciar uma de suas promessas de campanha: caso eleito deputado federal, vai defender a cirurgia plástica pelo SUS, tema que ele associa à própria trajetória, já que afirma ter passado por 15 procedimentos estéticos. A atriz e youtuber Antonia Fontenelle também se filiou ao PSDB e já sinaliza candidatura, ainda sem detalhar o cargo pretendido.

Outro nome de peso é o apresentador Sikêra Júnior, que deixou o comando de um programa policial em 12 de junho para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo, afirmando ter recebido convite do governador Tarcísio de Freitas para entrar na disputa pelo Republicanos. A socialite Val Marchiori também está no páreo, com pré-candidatura a deputada federal por São Paulo anunciada em março.

Nem todos entram no páleo sem tropeços

Nem toda estreia na política tem sido tranquila. Manoel Gomes, o cantor de “Caneta Azul”, se envolveu em polêmica após participação no programa “Além da Notícia”, do youtuber Paulo Mathias. Durante a entrevista, ele não apresentou propostas objetivas sobre sua eventual atuação como parlamentar, o que gerou atrito direto com o jornalista Régis Tadeu. Questionado sobre algum projeto ou problema do país que pretendia enfrentar caso eleito, o cantor respondeu apenas “agora não posso dizer ainda. Não é a hora. Você está sonhando”, resposta que viralizou nas redes e rendeu críticas de quem espera mais substância de pré-candidatos, famosos ou não.

Esse tipo de episódio reacende um debate recorrente sempre que uma nova safra de celebridades se filia a partidos às vésperas de uma eleição: a diferença entre popularidade e capacidade de representação parlamentar. A legislação eleitoral brasileira, vale lembrar, não estabelece regras diferentes para artistas, apresentadores ou atletas: como qualquer cidadão, eles precisam cumprir as mesmas condições de elegibilidade, entre elas nacionalidade brasileira, direitos políticos em pleno exercício, alistamento eleitoral regular, domicílio na circunscrição onde pretendem concorrer, filiação partidária dentro do prazo e idade mínima exigida para o cargo.

O que esperar até o fim do prazo de candidaturas

Com o prazo de registro de candidaturas se encerrando em 15 de agosto, a expectativa entre colunistas de política e entretenimento é que outros nomes conhecidos das redes e da TV ainda confirmem pré-candidaturas nas próximas semanas, ampliando ainda mais a presença de celebridades na disputa deste ano. Alguns já têm mandato e buscam reeleição, como é o caso de outros parlamentares que migraram para a vida artística antes de ingressar definitivamente na política, mostrando que essa via de mão dupla entre fama e Legislativo não é exatamente nova no cenário brasileiro.

Para o eleitor, a recomendação de analistas políticos costuma ser sempre a mesma diante desse tipo de movimento: acompanhar não apenas a fama do pré-candidato, mas também as propostas concretas apresentadas até o fim da campanha, já que popularidade nas redes sociais e capacidade de atuação parlamentar são coisas bem diferentes. Até lá, a lista de famosos na corrida eleitoral de 2026 deve continuar crescendo, movimento que promete render ainda mais repercussão dentro e fora do universo político.

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